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Cavaleiro profissional explica como treina os cavalos para o hipismo


Observação:
O seguinte conteúdo foi publicado originalmente no site experimental COM TEXTO ESPORTIVO, no seguinte link, como atividade da disciplina do quinto período “Jornalismo Multimídia Especializado em Esportes (JOR1520)” do curso de Bacharelado em Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP. O trabalho contou com depoimentos de pessoas que trabalham na Escola de Equitação Pratique Hipismo, localizado na Estrada de Aldeia, km 4,5, em Camaragibe/PE.
A reportagem ficou sob a responsabilidade do estudante Petrus Barbosa, sob a editoração de Lucas Holanda.

 

CAVALEIRO PROFISSIONAL EXPLICA COMO TREINA OS CAVALOS PARA O HIPISMO

Além do cavaleiro, o cavalo também é treinado com disciplina para a prática do esporte.

 

O atleta quando pratica algum esporte costuma ser a estrela naquele momento, dividindo a prática eventualmente com outros quando o desporto é coletivo. Mas em poucas modalidades, como o hipismo, por exemplo,  o atleta divide o estrelato necessariamente com um animal maior do que ele e, com certeza, mais forte. O cavalo é uma figura central na prática da modalidade, muitas vezes com um treinamento tão exaustivo e com disciplina tão rígida quanto o cavaleiro. Na escola de equitação da Pratique Hipismo, localizada em Aldeia, na região metropolitana do Recife, os equinos recebem treinamento para garantir a confiança entre o ser humano e o animal e a excelência da obediência aos percursos e saltos.

 

É através de treinamento de base que o cavalo perde o medo do percurso e do companheiro humano. O simples toque da mão deixa de ser algo que afugenta o animal e passa a não ser mais uma ameaça. A confiança com o  cavaleiro é outro fator que não pode ser deixado de lado. Segundo o treinador e domador Anderson André, apesar do equino ser domado em sua sensibilidade e para que confie nos seres humanos, também deve partir do atleta uma postura de confiar no animal. “Se o animal sentir que você está nervoso, vai sentir pela forma que você está sentado, ou que está agindo e manuseando ele. A confiança vem do atleta e o cavalo sente isso”, afirma.

Casos de desobediências também são revistos e trabalhados durante os treinos, pois qualquer sinal disso pode levar a perda de pontos em provas de torneios e campeonatos. Fatores como mal preparo e treino, má disposição no dia da prova, dores ou fobias podem levar o cavalo a não querer saltar no momento devido, e isso deve ser percebido e corrigido. A psicologia do animal também influencia, precisando ser criativo na solução dos problemas. Anderson exemplifica o medo comum entre os equinos da cor azul, algo que pode atrapalhar durante os percursos de salto. Para solucionar isso, ele demonstrou formas de fazer com que o animal vença esse medo, tal como guiá-lo por cima de uma lona dessa coloração repetidas vezes, até que este se acostume.

 

Os jovens, o tênis e as quadras públicas do Recife


Observação:
O seguinte conteúdo foi publicado originalmente no site experimental COM TEXTO ESPORTIVO, no seguinte link, como atividade da disciplina do quinto período “Jornalismo Multimídia Especializado em Esportes (JOR1520)” do curso de Bacharelado em Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP. O trabalho contou com depoimentos de profissionais do tênis que trabalham diretamente e indiretamente nas quadras públicos do Recife.
A reportagem ficou sob a responsabilidade do estudante Petrus Barbosa, sob a editoração de Lucas Holanda.

OS JOVENS, O TÊNIS E AS QUADRAS PÚBLICAS DO RECIFE

Experiências e desejos de profissionais do tênis direcionam a um futuro promissor a crianças e adolescentes da cidade

 

A disponibilidade de espaços públicos para esporte e lazer é uma diretiva comum para os municípios brasileiros, com o intuito de atender a população e, consequentemente, atingir o desenvolvimento de jovens atletas. Na cidade do Recife, diversos instrumentos esportivos estão distribuídos pelos bairros, fornecendo lugares para a prática de modalidades diferentes. Dentre eles, o tênis tem seu espaço, com o intuito de atrair praticantes e futuros atletas profissionais nesta modalidade – não importa a idade.

Aos poucos o tênis coleta sonhos de diversas pessoas, almejando sempre que o Recife e o Brasil se tornem potências neste desporto. Nas instalações públicas da capital pernambucana, professores que cresceram nessa prática desejam uma maior difusão, com a devida profissionalização de seus instrutores, com ensinamentos técnicos e, principalmente, práticos. “O conhecimento acadêmico é preponderante, porém é necessário também ter vivência”, afirma Jorge Monteiro Rocha, professor de tênis há 30 anos e atuando nas quadras públicas da praia do Pina.

Jorge conheceu o esporte quando atuou como boleiro em um clube de tênis no bairro da Boa Viagem, no Recife. Ao coletar as bolas durante as partidas, trabalhou ao lado dos professores da área, levando-o a se interessar pelo ensino, tendo se dedicado a excelência nesta atividade. “Eu penso muito na seguinte frase: conheça todas as teorias, mas ao tocar numa alma humana, sejas tu outra alma humana”, comenta o professor.

Hoje ele dá aulas nas quadras públicas da Avenida Boa Viagem e vê o tênis como uma forma de transformação de adultos e crianças, atendo-se que tal prática deve estar separada de quaisquer interesses que visem apenas o lucro. “Nossas crianças esperam que os homens deste país se lembrem que elas serão adultas amanhã e isso no mínimo poderá ser um peso pra nação. O tênis deveria ser inserido em uma sociedade de uma forma de trazer essas crianças para um desenvolvimento como ser humano”, explica o instrutor.

Muitos professores que atuam nas quadras públicas disponibilizadas pela prefeitura têm formação em Educação Física, estando diversos destes em busca da devida especialização no tênis. Outros, como o professor Davi Barros, atleta que atuou em circuitos internacionais profissionais, utilizam a sua vivência e habilidades empreendedoras para a disseminação do esporte no Recife, trazendo parcerias com instituições sem fins lucrativos da área esportiva para as quadras públicas do município recifense.

O projeto de massificação realizado pelo Instituto Tênis, sediada em São Paulo, já atendeu mais de 30 mil crianças em 20 cidades no Brasil, estando presente também no Recife. Na capital pernambucana o projeto é coordenado por Davi Barros, também gestor do Squash Tennis Center Recife, que contém uma visão ampla sobre a divulgação que o esporte deverá ter. Sob a sua coordenação, o Instituto Tênis fechou parceria com a Prefeitura do Recife, fornecendo professores nas quadras de tênis do Centro Comunitário da Paz – COMPAZ no bairro do Cordeiro, tendo previsão também de atuação nas instalações do Parque Santos Dumont, no bairro da Boa Viagem.

O COMPAZ Ariano Suassuna, localizado no bairro do Cordeiro, possui duas quadras de tênis que oferecem aulas gratuitas a crianças. | Imagem: divulgação Prefeitura do Recife

“No Recife já apresentamos o tênis para mais de três mil crianças, a maioria de escolas públicas, e quem patrocina esse projeto são empresas e empresários apaixonados pelo tênis que acreditam justamente que é o tênis é uma ótima ferramenta de transformação da criança”, afirma Davi, ao falar sobre o processo de massificação coordenado por ele. Além das atividades realizadas nas quadras públicas, nas dependências do Squash Tennis Center também são realizadas aulas gratuitas voltadas para crianças e adolescentes.

Ao expressar seu desejo de desenvolvimento do tênis no ambiente público, Davi pontua a importância do esporte na educação de um jovem como argumento principal para a continuidade de políticas públicas neste sentido, acompanhado com a construção de mais quadras públicas em parceria ou não com o setor privado. “O esporte tem que ser visto pelo setor público como educação, porque o esporte ensina princípios, valores, saber ganhar e perder, sob a observação de um professor capacitado que vai reforçar o que ela precisa aprender pra vida”, explica.

O professor Jorge Monteiro Rocha, por sua vez, que vive e trabalha diariamente nas quadras públicas do município, sente um desejo de maior atenção da Prefeitura quanto a manutenção e construção de novos ambientes de treino, sentindo falta, por parte da administração municipal, um projeto social sério, “de uma forma que as crianças tenham acesso a mais desenvolvimento dentro desses espaços públicos”, sugerindo a busca pela capacitação dos profissionais que trabalham nesses lugares, como exemplo.

Atualmente, conforme as informações coletadas na Secretaria de Esporte e Lazer da Prefeitura do Recife, não há projetos em médio ou longo prazo para que se instale novas quadras de tênis na cidade, tendo no momento apenas em funcionamento as quadras da Avenida Boa Viagem, defronte ao Primeiro Jardim, e as do COMPAZ Escritor Ariano Suassuna. No Parque Santos Dumont, no bairro da Boa Viagem, foram construídas recentemente quadras voltadas para a prática do tênis, porém, constata-se ao visitar o local que, por problemas estruturais e de erros na sua concepção, estas no momento se encontram interditadas, impedindo a expansão deste desporto a novas áreas públicas, pelo menos por enquanto.

VT – Lixo no Rio Capibaribe

LIXO NO RIO CAPIBARIBE

O lixo descartado nos rios é um assunto sempre abordado nos grandes centros urbanos. Em Pernambuco, o Rio Capibaribe sofre com a poluição de dejetos sólidos jogados pelos moradores.

A seguinte matéria especial foi uma atividade da disciplina do terceiro período “Reportagem e Edição em Telejornalismo (JOR1513)” do curso de Bacharelado em Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP. O trabalho contou com depoimentos feitos na cidade do Recife e no município de Santa Cruz do Capibaribe, no agreste do Estado de Pernambuco.

A produção ficou à cargo dos alunos Isabela Aguiar, Laís Parente, Eduarda França, Petrus Barbosa e Raíssa Moura, sob a orientação da professora Stella Saldanha.

VT – Quem era Geneton Moraes Neto?

 

DOSSIÊ: GENETON – Quem era Geneton Moraes Neto?

O jornalista Geneton Moraes Neto nasceu no Recife, tendo começado sua carreira no Diário de Pernambuco e se tornado repórter da Globo. Sua forma de conduzir entrevistas e de exercer a profissão de repórter o tornou célebre no jornalismo brasileiro.

O seguinte vídeo foi uma atividade da disciplina do primeiro período “História do Jornalismo (JOR1502)” do curso de Bacharelado em Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP. O trabalho contou com depoimentos de amigos, colegas de trabalho e admiradores de Geneton. Agradecemos a participação de Alexandre Figuerôa, Cláudio Bezerra, Paula Losada, Paulo Cunha e Sônia Bridi.

A produção ficou à cargo dos alunos Emerson Saboia, Isadora Cavalcanti, Marina Melo, petrus Barbosa, Ricardo Bezerra e Ricardo Schimitt.

 

 

As palafitas das pontes do Pina

Dentre os trabalhos recentes para a confecção de uma matéria especial sobre o rio Capibaribe, deparei-me com um ambiente que sempre está ali, no passar da paisagem do dia-a-dia, mas nunca tive a oportunidade de conhecer a sua realidade até então. Sobre as águas do rio, em meio as pontes do Pina, uma comunidade desponta reinando sobre os mariscos e a lama da poluição. Seus moradores são únicos, devotos das águas e dependentes da pescaria e da coleta dos alimentos que o rio e o mar dão. Para as lentes das câmeras os seus habitantes dão o seu sorriso, e para os nossos microfones eles nos dão suas palavras de sofrimento…

Pelas tábuas das palafitas crianças correm, sem se preocupar com os perigos da maré e das toxicidades que suas águas poluídas trazem. Brincavam e gargalhavam, e se maravilhavam com o clicar de uma câmera fotográfica que trazíamos conosco. A infância regojiza em seus cernes, mesmo que não merecessem estar ali. As mães e os pais riem das peraltices dos pequenos, mas quando questionados sobre os perigos do lar, suas testas se enrugam.

Imagina o seguinte… Não poder criar os seus pequenos no coração da sua casa, sem se preocupar com uma morte repentina ou por um perecimento por doença? Uma mãe veio até nós e falou do sofrimento de viver lá. Contou-nos do causo de uma criança que caiu na maré e morreu afogada… Contou-nos dos ratos que correm pelas vielas e do descaso que o poder público tem com o lugar. “Por que continuamos vivendo aqui, então?”, retoricamente ela nos perguntou, depois afirmando que não há lugar para ir, pois a vida deles é viver das águas, e qualquer lugar que não fosse próximo do mar ou do rio seria como matá-los de fome.

Os barcos de pescas povoam a paisagem, com os homens e mulheres fazendo seus trabalhos diários com as redes de pesca e os caixotes de mariscos. Um deles, conhecido como o Careca, relembra dos tempos em que a poluição não era tão densa, em que a lama negra que margeia o rio era ainda areia. “Ninguém passava fome não”, rememorava, sorrindo. Suas mãos dilaceradas pelo trabalho zuniu no meu olhar. A experiência de ter que descer o rio até a foz para pescar, ou de ficar em alto-mar por semanas, parecia-me um universo distante de mim, mas que estranhamente estava ali, na vizinhança, praticamente o meu vizinho.

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Jovens brincam nas águas do rio. Foto: Petrus Barbosa

Os jovens pulavam nas águas, despreocupados. Riam e sorriam, à mercê das consequências negativas de uma vida margeada. Eles eram da minha idade, ou mais jovens, e apesar das suas experiências, cumprimentava-nos como iguais… Porque somos iguais, em verdade.

E então olhei ao redor das casas sobre taipas e madeira… As centenas de carros passando diariamente sobre as pontes que delimitam o pequeno povoado… Sobre as telhas, em poucos metros, ali está o trajeto que passo todos os dias, e lembrei como tal lugar era quase invisível aos meus olhos até tão pouco tempo. Centenas de milhares de pessoas passam ali, e pouquíssimas baixam os olhos com preocupação para enxergar aquele pequeno espaço de humanidade vivente sobre as águas… A preocupação por tudo aquilo nos toma, por fim. Torna-se visível.

As memórias de um veterano

As memórias são uma parte essencial no ser de um veterano da Grande Guerra. Quando adentrei naquele lugar e olhei nos olhos do senhor Alberides, questionei-me se aquele quase um século de vida conseguiria transmitir o passado com lucidez. Contradito fui de forma bem-vinda, pois ao perceber o seu sorriso se abrindo em um quase preâmbulo das coisas que viria a lembrar com tanta clareza, fui acometido pela sensação de que presenciaria uma das melhores experiências dos últimos tempos. De fato presenciei… De coração aberto fui recebido, e as memórias eu fui agraciado.

Setenta anos podem ter sido o tempo suficiente para que cada palavra dita naquele dia fossem lapidada e decorada, mas os fatos estavam lá em sua forma única. A pólvora e o sangue rebatiam em minha mente a cada descrição daqueles dias soturnos, sucumbindo em maravilha ao perceber o quanto aquele velho senhor estava feliz ao contar o que ele sabia. Ele não negava que os fatos narrados mereciam apenas ficar no passado, clamando até ao divino para que algo do tipo nunca mais acontecesse… Mas ele exasperava em gozo ao colocar pra fora as suas lembranças. Era como um pai contando ao filho o seu passado. Era como se naqueles instantes tudo que ele estivesse dizendo fosse essencial a sua natureza…

As memórias são importantes para um veterano de guerra, eu me atrevo a repetir. São vitais ao seu ser. É a potência das suas motivações. Traz-lhe jovialidade e felicidade… Talvez, em um país que não sabe o valor de uma geração que lutou pela liberdade, esse simples ato de lembrar e passar para frente traga um motivo de ser feliz a mais. A sombra do esquecimento potencializa a exasperação, afastando-se do medo de ser imêmore… Até mesmo quando das memórias ele pescou a morte do seu pai, fato acontecido durante o período que lutou nos campos de batalha da Itália, chegando até a chorar, ele conseguiu talhar um sorriso em seus lábios trêmulos.

Foi ao perceber, ao lado da minha colega, essa essencialidade daquele homem que percebi o jornalismo como possuidor de um quê especial. É como um trabalho de resgate… De resgatar fatos que, se não recebidos a devida atenção, se afogam nas águas do esquecimento. E a retribuição? Presenciar aquele sorriso após ouvir “conte-me a sua história” já basta…